Consulta pública aberta · Até 28 abril 2026

O que está a acontecer à Praia de São Torpes?

O areal está a desaparecer. O Porto de Sines continua a expandir. Uma nova consulta pública decorre agora — e precisa da tua voz.

Prazo 28 Abr 2026
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Um areal em desaparecimento.

As imagens de satélite mostram a praia em 2003 e 2023. Nos últimos anos, a extensão do areal tem vindo a diminuir — a praia termina agora praticamente na pedra preta. Esta tendência vai continuar, ou até agravar-se, se nada for feito.

O antes & o depois.

Praia de São Torpes em 2003, com areal extenso Ortofoto
2003 Areal extenso, linha de costa estável
Praia de São Torpes em 2023, com areal reduzido Ortofoto
2023 Areal reduzido, praia termina na pedra preta
Fonte: Portugal Seen from the Sky — Direção-Geral do Território (geo4.dgterritorio.gov.pt)

Porque é que isto está a acontecer?

A reposição natural das areias levadas pelo mar na costa portuguesa é feita maioritariamente de Norte para Sul. Quando essa reposição é interrompida, a areia acumula-se a Norte do obstáculo e começa a faltar gradualmente a Sul.

O Terminal XXI teve várias fases de expansão, e a cronologia é concordante com o agravamento do desaparecimento do areal em São Torpes.

Este fenómeno não é uma surpresa. Repete-se na Figueira da Foz e no Porto de Leixões — a APS sempre soube que isto iria acontecer.

Três fases do Terminal XXI.

2004 Fase 1 — Concluída

Primeira intervenção de expansão do Terminal XXI.

2014 Fase 2 — Concluída

Segunda fase de expansão. A partir desta altura, a diminuição do areal torna-se visível.

2021–2028 Fase 3 — Em curso

Expansão em curso, agora acompanhada pelo novo projeto do Terminal Vasco da Gama (TVG) a Sul.

O que está a acontecer neste momento?

Em paralelo com as obras de expansão do Terminal XXI, a Administração do Porto de Sines pretende construir mais um terminal, a Sul do Terminal XXI, na praia de Vale de Marim (Apocalipse). Este novo terminal vai chamar-se Terminal Vasco da Gama.

O TVG já foi a consulta pública em 2018. Dessa consulta resultou uma Declaração de Impacto Ambiental com parecer favorável condicionado. Essa consulta teve pouca ou nenhuma divulgação junto da população, que continua sem saber as consequências da criação de um novo terminal ou da expansão do terminal já existente.

Neste momento, decorre uma nova consulta pública — até 28 de abril — sobre o início da Fase 1 do Terminal Vasco da Gama.

Porque é que há uma nova consulta se já houve uma em 2018?

Da Declaração de Impacto Ambiental feita em 2018 resultaram inúmeras condicionantes. Essa declaração ia passar da validade no final deste ano. Para ganhar tempo, a APS apresenta agora um Relatório de Conformidade Ambiental (RECAPE), com um novo faseamento de obra.

Este relatório incide apenas sobre a nova Fase 1 da obra — o aterro na zona da Praia do Vale de Marim (Apocalipse). Com este relatório, a APS descarta a resposta a praticamente todas as condicionantes impostas na Declaração de Impacto Ambiental, por não serem aplicáveis a esta fase (apenas um aterro). Pode assim dar início aos trabalhos sem se preocupar com as condicionantes.

Porque é importante participar?

Se não houver pressão da população, a Agência Portuguesa do Ambiente não se vai opor ao início dos trabalhos. A APS poderá deixar a resposta às condicionantes para uma fase mais tardia — em que não sabemos o que vai acontecer.

A continuação da expansão do Terminal XXI e a criação do Terminal Vasco da Gama, para além de agravarem o estado de conservação do areal de São Torpes, vão afectar a qualidade das ondas e colocar em causa a prática do surf.

Temos conhecimento de algum trabalho compensatório (ambiental, social ou económico) feito pela APS em virtude da expansão do Terminal XXI? Provavelmente não. Sem pressão da comunidade, provavelmente também não haverá iniciativa do lado da APS.

E se não conseguirmos impedir? O que ainda pode ser feito?

  • Exigir medidas de reposição do areal preventivas, eficazes e actualizadas.
  • Pressão pública para o cumprimento das condicionantes da Declaração de Impacto Ambiental.
  • Informação contínua e acessível à população.
  • Apoio maior da APS à comunidade, por compensação da destruição de um espaço público que serviu milhares de pessoas. Sem bilhete, acessível a todas as idades e classes sociais, São Torpes representou para várias gerações o espaço democrático por excelência.
  • Financiamento da APS para preservação da memória da Praia de São Torpes — bibliografia, documentários (História do Surf no Alentejo, 50 anos da Praia de São Torpes, etc).

Porque manifestamos discordância na consulta pública?

  1. Porque as alterações ao projeto são suficientes para que se tenha de fazer uma nova avaliação ambiental.
  2. Porque este RECAPE empurra o cumprimento das condicionantes para uma fase mais tardia. A divisão do cumprimento por diversos faseamentos da obra vai dispersar responsabilidades e dificultar a garantia do cumprimento.
  3. Porque é necessário reavaliar a necessidade da construção de um novo terminal face às condições de operacionalidade do terminal já existente.
  4. Porque a Declaração de Impacto Ambiental emitida em fase de Estudo Prévio é pouco detalhada, desactualizada face às medidas propostas, e omissa em vários pontos — nomeadamente na caracterização social e cultural da Praia de São Torpes.

A tua voz, em três passos.

A consulta pública é o canal formal para manifestar discordância. Leva cinco minutos. Faz-se online. E tem peso.

i.

Acede ao portal

Entra no site participa.pt na página da consulta do Terminal Vasco da Gama — Fase 1.

ii.

Regista-te

Cria um registo com o teu nome e email. É rápido e único para cada consulta.

iii.

Submete

Seleciona participar e envia a tua participação. Podes usar o texto-base que disponibilizamos abaixo.

Um ponto de partida.

Podes copiar este texto, adaptá-lo à tua realidade ou escrever o teu próprio. O importante é participar.

Participação na Consulta Pública

RECAPE · Terminal Vasco da Gama — Fase 1

Venho, por este meio, manifestar a minha discordância em relação ao Relatório de Conformidade Ambiental com o Projeto de Execução (RECAPE) da Fase 1 do Terminal Vasco da Gama, pelas seguintes razões:

1. As alterações introduzidas ao projeto, nomeadamente o novo faseamento da obra, representam uma modificação substancial que, no meu entender, justifica a elaboração de uma nova Avaliação de Impacte Ambiental, em vez de um simples RECAPE.

2. O presente RECAPE desloca o cumprimento das condicionantes da Declaração de Impacte Ambiental de 2018 para fases posteriores da obra. Esta fragmentação dispersa responsabilidades, dificulta a fiscalização e compromete as garantias de cumprimento das medidas de mitigação previstas.

3. Entendo ser necessária uma reavaliação da necessidade de construção de um novo terminal, tendo em conta as actuais condições operacionais do Terminal XXI e o impacte cumulativo das sucessivas expansões portuárias sobre a costa a Sul.

4. A Declaração de Impacte Ambiental emitida em 2018, em fase de Estudo Prévio, é pouco detalhada, encontra-se desactualizada face às medidas actualmente propostas e é omissa em vários pontos — designadamente na caracterização social e cultural da Praia de São Torpes, espaço público democrático que há décadas serve a comunidade local e milhares de visitantes.

5. A degradação progressiva do areal de São Torpes, correlacionada com as sucessivas fases de expansão do Terminal XXI, é um facto observável e documentado. A aprovação de mais uma intervenção, sem medidas compensatórias efectivas e verificáveis, agravará de forma irreversível esta situação.

Por tudo o que fica exposto, solicito que seja rejeitado o presente RECAPE e que se proceda a uma nova Avaliação de Impacte Ambiental, com ampla divulgação pública e participação efectiva da comunidade.