Venho, por este meio, manifestar a minha discordância em relação ao Relatório de Conformidade Ambiental com o Projeto de Execução (RECAPE) da Fase 1 do Terminal Vasco da Gama, pelas seguintes razões:
1. As alterações introduzidas ao projeto, nomeadamente o novo faseamento da obra, representam uma modificação substancial que, no meu entender, justifica a elaboração de uma nova Avaliação de Impacte Ambiental, em vez de um simples RECAPE.
2. O presente RECAPE desloca o cumprimento das condicionantes da Declaração de Impacte Ambiental de 2018 para fases posteriores da obra. Esta fragmentação dispersa responsabilidades, dificulta a fiscalização e compromete as garantias de cumprimento das medidas de mitigação previstas.
3. Entendo ser necessária uma reavaliação da necessidade de construção de um novo terminal, tendo em conta as actuais condições operacionais do Terminal XXI e o impacte cumulativo das sucessivas expansões portuárias sobre a costa a Sul.
4. A Declaração de Impacte Ambiental emitida em 2018, em fase de Estudo Prévio, é pouco detalhada, encontra-se desactualizada face às medidas actualmente propostas e é omissa em vários pontos — designadamente na caracterização social e cultural da Praia de São Torpes, espaço público democrático que há décadas serve a comunidade local e milhares de visitantes.
5. A degradação progressiva do areal de São Torpes, correlacionada com as sucessivas fases de expansão do Terminal XXI, é um facto observável e documentado. A aprovação de mais uma intervenção, sem medidas compensatórias efectivas e verificáveis, agravará de forma irreversível esta situação.
Por tudo o que fica exposto, solicito que seja rejeitado o presente RECAPE e que se proceda a uma nova Avaliação de Impacte Ambiental, com ampla divulgação pública e participação efectiva da comunidade.